Sempre que o trabalhador olha seu contracheque, no mês de março, percebe um desconto diferente. Esse desconto é o imposto sindical que equivale a um dia de trabalho, ou seja 3,33% do salário.

É compulsório assim como outros impostos. Diferente da mensalidade do sindicato que apenas os sócios pagam, e da contribuição assistencial que é definida pelos trabalhadores em assembleias, o imposto abrange toda a categoria.

Foi criado pelo Estado Novo, em 1937, durante o governo de Getúlio Vargas. Também nessa época foi instituído o sindicalismo de estado e definida a forma de cobrança e distribuição do imposto que muito pouco mudou até hoje.

Apesar de se chamar “sindical”, o imposto não vai todo para o sindicato. Na verdade, só um pouco mais da metade vai para a entidade, o restante é dividido entre outras entidades sindicais e o governo. O seu “dia de trabalho” é dividido da seguinte forma: 10% é destinado ao governo através do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 10% às centrais sindicais como a CUT, 5% para a confederação nacional da categoria ou ramo profissional, 15% para as federações como a Fentac e apenas os 60% restantes cabe ao sindicato de base.pricing

O imposto sindical além de injusto, por cobrar dos trabalhadores algo não decidido democraticamente em assembleia, tem a capacidade de construir grandes distorções no movimento sindical.

Hoje há centenas de sindicatos, alguns de categorias muito expressivas, que quase não tem sócios. Em alguns casos, o número de dirigentes sindicais é quase o mesmo que o número de sócios da entidade.

Essa estratégia serve para dificultar ao trabalhador participar da entidade. Assim as decisões sobre o sindicato são tomadas por um grupo reduzido de dirigentes, que podem, sem questionamentos, escolher como utilizar os valores, muitas vezes milionários, do imposto sindical recolhido de todos.

Esse imposto que surgiu para financiar o movimento sindical e instrumentalizar a luta dos trabalhadores, hoje deve ser o principal fator de enfraquecimento do sindicalismo no Brasil.

É a farra do dinheiro, que esse imposto promove, que leva a proliferação cada vez maior de sindicalistas “pelegos”, ou seja, dirigentes sem compromisso com os interesses de sua categoria, e, que representam apenas os seus objetivos pessoais e financeiros.

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