Editorial:
Em benefício próprio sim, em benefício dos próprios trabalhadores!

 A aviação brasileira passa por um momento difícil.

Isso pode não ser novidade para muitos de nós que testemunhamos o fechamento da Varig, da VASP ou da Transbrasil. Muito antes disso, na década de 60, durante a ditadura, muitos sofreram com o fechamento da Panair pelos militares. Ao longo dos anos milhares de colegas perderam seu trabalho.

Mas nesses momentos sempre vimos o coleguismo e a solidariedade. Sempre contamos com os colegas lutando “todos por um e um por todos”.

Mas hoje a situação parece ainda mais grave.

Nossas empresas “nacionais” foram quase todas internacionalizadas: A Lan chilena comprou a Tam sob o disfarce da fusão. A Delta americana tem uma participação  cada dia maior na Gol.  A Azul está dividida entre chineses e o paulistano com o sotaque mais estranho que já vimos. E, a Avianca, essa leva a Colômbia até mesmo no nome.

Talvez por isso que a participação de “nossas” empresas em rotas internacionais é, a cada dia, menor. Se hoje as “nacionais” tem menos de 30% desse mercado, é difícil de acreditar que até poucos anos atrás tínhamos mais da metade dos passageiros transportados do Brasil ou para o Brasil. Com essa transferência para as aéreas estrangeiras também transferimos para o exterior um grande número dos nossos empregos.

Também tivemos nossas decepções com aqueles que elegemos aos mais altos cargos do País.

Fique alerta ao nosso Sindicato:

Mas, talvez, o principal motivo da nossa falta de esperança seja porque não vemos, hoje, nos colegas que ocupam a direção dos nosso sindicato o coleguismo e a solidariedade que sempre acreditamos ter uns para com os outros.

Não vemos nenhuma ação enérgica do sindicato na defesa dos colegas demitidos na TAP. Ao contrário, o que vimos foi o presidente da entidade, o tempo todo, ao lado da presidente da companhia, quando ela veio a Porto Alegre falar com os trabalhadores.

pegadinha do malandro

O que vimos foi o presidente da entidade se ocupando em ameaçar e iniciando processos judiciais contra os seus colegas porque pensam diferente dele, ou porque usam o humor para criticar suas decisões enganadas por “pegadinhas” da empresa como no caso do plano da Unimed.

 

 

CoopTrans

 

Também vimos uma direção que foi composta por dois grupos que, pouco antes da eleição, se acusavam mutuamente quanto a supostos desvios na cooperativa de crédito.  Após a união desses grupos para a eleição, esqueceram das graves acusações que trocaram entre si.

 

Deixaram de explicar para a categoria o que aconteceu de fato com a cooperativa. Deixaram de pedir desculpas para a categoria, sejam os responsáveis pelos desvios ou sejam os responsáveis pelas acusações caso estas se demonstrem infundadas.

Lembramos aos colegas isso, já que a direção do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre usa dos canais de comunicação da entidade para insinuar em seus editoriais que a oposição aeroviária atua em benefício próprio.

Por isso queremos lembrar:
Nosso Coletivo atua SIM em benefício próprio,
em BENEFÍCIO PRÓPRIO DE TODOS OS TRABALHADORES.

Foi com essa atuação que conseguimos a maioria absoluta dos votos entre os ativos, tanto no aeroporto como na TAP, nas últimas eleições sindicais. Só não conseguimos vencer a eleição da entidade porque o grupo que aí está hoje na direção se utilizou de métodos pouco democráticos como o transporte de eleitores aposentados de suas casas até as urnas.

Mas apesar disso, o movimento EmLuta segue acreditando que somos muito maiores que tudo isso.

Somos trabalhadores da aviação. Somos orgulhosos da nossa contribuição para fazer esse País voar.

Sabemos que com a união de todos sempre conseguimos superar as turbulências.

Dessa vez não será diferente, será com a nossa união, com ou sem a direção sindical, que daremos um basta ao que está acontecendo em nossa profissão.

À boa luta!

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