Demissões continuam enquanto Sindicato só assiste

Foi visto, na semana passada, o presidente do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre andando todo engravatado dentro da TAP/ME. Imagina-se que o sindicalista tenha ido reunir-se com a presidente da companhia, mas, como de costume, o site da entidade nada divulgou.

O figurino também não estranha, já que alguns diretores sindicais não vestem o uniforme da empresa, não trabalham efetivamente na base, há muitos anos.

Esses dirigentes, afastados do dia a dia do trabalho, não têm mais a noção da realidade, que nós, os aeroviários da TAP, estamos enfrentando.

Nos acusaram de “usar” as demissões para criar “pânico” entre os colegas. Se ainda vestissem a camisa, saberiam que o medo e a insegurança têm feito parte do dia a dia daqueles que trabalham sem a segurança da estabilidade sindical. Eles desconhecem a realidade e parecem não querer fazer nada a respeito, já que só se ocupam com reformas e festas.

Apesar desta engravatada e calma direção sindical se reunir, todo o tempo, com a presidente da empresa, não conseguiram nenhum acordo assinado em benefício aos trabalhadores demitidos, para o fim das demissões, ou mesmo para o cumprimento da CCT. Apenas divulgam, semana após semana, intenções e mais intenções.

Nós, por outro lado, que não temos livre acesso à sala da presidente, nunca deixaremos de informar aos colegas quanto a qualquer suspeita de ameaça aos nossos empregos.

Sempre avisamos quando nossas informações não foram confirmadas. Isso é bem diferente de um boato, que é aquela mentira que tentam nos vender como verdade.

Por isso, vamos sempre avisar nossa categoria de qualquer suspeita para assim podermos todos nos preparar melhor para a luta, por nossos empregos e por nossa profissão.

Cego, surdo e mudo?

Já o Sindicato prefere fechar os olhos, e mais uma vez, e para o espanto de todos, elogiar a direção da TAP/ME:

…em nenhuma reunião a TAP ME chegou a manifestar disposição de fechar, como afirma a oposição em seus boatos. Esse era o discurso dos empresários, quando queriam assediar os trabalhadores… ” (Nossa união é mais forte que boatos -14/11/17-Editorial /Site Sindicato)

Pelo visto, para a entidade, apesar de admitir o assédio em 2013, avalia que neste processo de demissões, a TAP/ME não assedia seus trabalhadores. Esse era um recurso dos empresários “malvados” do passado.

Onde há fumaça….

Quando informamos sobre os possíveis estudos quanto ao fechamento da base na cidade, seguimos nosso compromisso com a transparência.

Só com a união de todos os trabalhadores é que poderemos reverter uma iniciativa como essa. E essa união só acontecerá se todos estiverem informados e atentos não só aos comunicados oficias da empresa, mas de todas as negociações de bastidor que conseguirmos acesso.

Apesar da notícia de fechamento ter sido negada com ênfase pelo Sindicato, que as vezes parece ser a assessoria de imprensa da TAP, os fatos do dia a dia na empresa parecem apontar na direção contrária.

As demissões seguem ocorrendo todos os dias, no processo, a Convenção Coletiva tem sido ignorada. Afinal a empresa disse que todas as demissões são pontuais, em função do baixo desempenho dos trabalhadores demitidos. Enquanto isso, o Sindicato segue calmo como se o problema não fosse com ele.

Agora recebemos a informação (não confirmada) que o setor de recursos humanos na cidade deverá ser fechado. Conforme nossas fontes, alguns trabalhadores do setor foram “convidados” para trabalhar na capital carioca.

Assim, para nós, há indícios muito fortes que a atual gestão da TAP/ME estudou ou ainda estuda a possibilidade do fechamento ou redução da empresa na cidade, e, como nos alerta o ditado popular: onde há fumaça, pode sim haver fogo.

Dessa forma, parece que mesmo que o “boato” se torne “fato consumado”, a atual direção do Sindicato não conseguirá perceber.

Mas como o Sindicato é campeão de “cair em pegadinhas” da TAP, deve ser apenas ingenuidade da atual direção. Como estão muito longe da base, nem percebem que da fumaça que sai da empresa, pode sim, significar fogo.

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