Há aproximadamente três semanas, a Presidente da TAP-ME realizou uma reunião com os trabalhadores de Porto Alegre, depois, para tratar dos mesmos assuntos, repetiu o encontro com os trabalhadores do Rio de Janeiro.

No evento, a presidente da empresa solicitou aos trabalhadores empenho e informou que as demissões, agora, serão daqueles que indicarem o seu desejo em sair e para isso bastará informar a sua chefia. A presidente constatou que está há 11 anos na direção da companhia, e que nesse período, a empresa ainda não registrou lucro.

Após questionada sobre o descumprimento da cláusula 41, e sobre as terceirizações, por integrantes do coletivo EmLuta, desconversou. Informou que o processo de demissões continuará até julho, que as terceirizações serão realizadas em todos os setores possíveis, como a “logística”, e que o contrato de manutenção para os jatos da FAB deve se encerrar em outubro.

Terceirizacao

A terceirização dos setores de infraestrutura, provedoria, ferramentaria e estação de tratamento já andam bem adiantadas. Não é de se espantar que, em pouco tempo, outros setores, fundamentais à segurança aeronáutica, sejam também terceirizados.

Com a nova legislação é permitida a terceirização, até mesmo, dos serviços fins. Assim, tanto a terceirização como a contratação de temporários ou intermitentes, significa a precarização da nossa profissão, e é por isso, que os aeroviários devem ficar atentos ao desenrolar desse processo.

Agora já há relatos que a empresa está suprindo a falta pessoal, decorrente da demissão em massa, através de contratos temporários de 60 dias, tanto para mecânicos de manutenção, como para outras funções.

Cortes

Direção sindical mente

A direção do Sindicato insiste em excluir a responsabilidade da presidência da TAP, em 11 anos, pelos resultados da empresa.

Segue tentando atribuir a situação da empresa, apenas às declarações dadas pelos trabalhadores que integram nosso coletivo, em um especial apresentado pela televisão portuguesa em 2015.

Prefere esquecer dos carros de luxo da direção da companhia e das caras e inúmeras consultorias que passaram pela empresa nas diversas áreas, como ambiental, segurança, processos, planejamento estratégico, cargos e salários, que muito pouco resolveram dos problemas de sustenta-bilidade da TAP/ME Brasil.

Com mais de 2.200 processos trabalhistas contra a empresa, contados antes das demissões em massa que descumpriram a cláusula 41 da Convenção Coletiva (que estabelece os critérios de redução de força de trabalho), a direção atual do Sindicato prefere culpar os próprios trabalhadores pela crise da companhia.

 

Brasil é estratégico para TAP

Em entrevista ao diário de economia português “Jornal de Negócios”, em outubro do ano passado, Diogo Lacerda Machado, gestor do estado português, junto a TAP, e considerado uma das pessoas chaves no processo de reversão da privatização da aérea portuguesa, destacou quão benéfica foi a compra da Varig Engenharia e Manutenção (VEM) para o grupo TAP:

“Se a TAP não tivesse feito esse investimento, absolutamente estratégico e decisivo para chegar onde chegou hoje, o tempo seria muito pior”

Para o executivo os investimentos, da ordem de 450 milhões de euros na VEM, foram amplamente compensados pelas receitas alcançadas no Brasil de mais de 13 bilhões de euros (mais de 55 bilhões de reais).

Segundo ele, o crescimento do grupo no Brasil só foi possível devido a esse investimento e que no longo prazo isso se tornará mais claro a todos.

 

Veja: Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre convoca eleições para a diretoria.

 

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